Desvarios nos muros

Meu caro Mário,

Custam poucos momentos para perceber o quanto a Paulicéia está cada vez mais desvairada. Com um olhar mais atento pelos cantos da cidade, é fácil se deparar com os gritos de contestação ilustrados nas paredes de concreto. Elas estampam os prédios, viadutos e túneis. As vozes clamam por mais amor, respeito e liberdade.

Os artistas anônimos deixam suas marcas numa reivindicação por espaço, em meio à fuligem e ao cinza, as cores se sobressaem dizendo muito a respeito da sociedade em que vivemos.

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Livre das molduras, a voz do povo apropria-se dos espaços com ares de rebeldia e delito. Ultimamente, são as paredes que confrontam os padrões em discursos metafóricos e trazem o pensamento para o que acontece à nossa volta. Uma disputa acirrada com tanto entretenimento e publicidade, que constroem uma sociedade ideal pelo simples ato de consumir.

 
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O mais instigante é o fato de, até hoje, o homem relatar o seu cotidiano nas paredes,  assim como fazia no período paleolítico com a pintura rupestre. Há quem classifique como vandalismo, mas, como já é de costume, o que ameaça as velhas estruturas carrega o estigma da desconfiança.

Nesta cidade de metas e custo-benefício, de pressa e trânsito lento, ainda existem aqueles que materializam suas utopias e questionamentos dando o contraste das cores ao cinza. Você, certamente, gostaria de conhecê-los. Um abraço, meu amigo!

Marcos

Texto e fotos: Marcos Smania
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