Presentes do passado

Mário, querido,

Hoje, as paredes têm ouvidos, assim como têm olhos, bocas e expressões. Hoje, se pudesse passar pelas ruas de São Paulo, você teria a cada construção, muro ou poste, uma história pra inventar.

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“A vida só se dá pra quem se deu” é a frase que grita em um dos cantos da Rua Piauí. Quase ninguém a leu, como também quase ninguém “se deu” nem percebeu o contraste de suas antigas janelas, hoje gradeadas, com as cores vibrantes do lado de fora.

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As grades negam as cores, assim como as cores negam as grades. Porém, por incrível que possa parecer,  combinam entre si, e para o olho do paulistano, convivem harmoniosamente na cidade.

Se analisarmos a partir de um ponto de vista singular, andar por São Paulo é encontrar presentes. Em meio a tanto concreto e nuvens cinzas, acaba-se sempre ganhando um borrão de tinta no muro, que colore a rotina preta e branca do cidadão.

Tenho certeza de que você, Mário, como cidadão apaixonado pela arte, adoraria receber e deixar presentes espalhados pela cidade. Adoraria, como os artistas de rua da atualidade, deixar estampada a arte de dar-se por inteiro.

Beijos meus,

Nathalia

 

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